Ônibus... de novo

Ah, férias. Férias, férias. Eu pensei que, uma vez desocupado, fosse atualizar isto aqui semi-diariamente. Pobre de mim: Esqueci-me que de férias não pego mais ônibus. Onde mais eu vou pensar no que escrever aqui? Onde mais vou ver uma expressão de desprezo profundo e pensar "ferrou, ele lê pensamentos"? Provavelmente vou me arrepender de dizer isso, mas eu amo ônibus!

Mas eu tenho uma idéia. Amanhã, como você (não) deve saber, eu vou viajar. Tecnologia não me alcança lá. Nada me alcança lá. Só as revistas Caras e Veja, mas isso não é surpresa. Isso significa mais uma semana sem cacas. Mas eu já disse que tive uma idéia. Assim que voltar, eu vou pegar um ônibus para o lugar mais longe que o terminal oferece. E depois voltar, é claro. Aí eu quero só ver a falta do que escrever me atingir! Rá!

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Oh! Hoje é Natal! Na verdade é apenas a véspera, mas eu sempre chamei o dia 24 de Natal, e o 25... de Natal, também. O Natal verdadeiro é legal, sim... Almoço na casa de algum parente, praia, e praia. Como eu amo o Brasil. Mas todo mundo sabe que o Natal de verdade é hoje. Qual é, o banquete é hoje. Assim como o amigo secreto, no qual você sempre tira aquele tio ou primo que não disse o que quer ganhar - e para quem você não faz a menor idéia do que dar - mas que vai ser super divertido de fazer a descrição: "O meu amigo secreto é uma pessoa que...". É hoje que, dependendo da sua idade, é claro, você vai esperar até a meia-noite para chutar uma árvore e pegar seus presentes. Novamente dependendo da sua idade, é hoje que você vai tentar pela terceira vez esperar o Papai Noel chegar, mas infelizmente seus pais conhecem ótimas técnicas de adormecimento. Vinte e cinco? Vinte e cinco é feriado. O Natal é no vinte e quatro.

Feliz Natal. Hoje.

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Estou também preparando uma surpresa para quando voltar. As pessoas mais espertas já devem até saber o que é. Se você sabe o que é, contate-me: tenho um trabalho especial para você.

Tolice

Tolice é algo que todos têm. Não adianta negar, você é um tolo. Não um tolo completo, espero, mas um tolo. Vou provar. Pegue todas as coisas em que você acredita. Ótimo. Eu não faço a menor idéia do que são essas coisas. Assim sendo, posso afirmar que as chances delas serem mentira são de 50%. Ora, pela probabilidade apresentada, em uma situação ideal você acredita em muita bobagem. O que o torna tolo. Não se preocupe, também o sou.

Todos acreditamos em coisas que podem ser mentira. Que o homem chegou à lua, que alguns sites de compras são seguros, que os desenhos de Chen Shu Fen não são fotos editadas no photoshop, que quem vos fala é mesmo esse tal de Renato... Mas isso não importa de verdade, porque é tudo uma questão de ângulo. Eu posso acreditar na astronomia; posso comprar na internet e permanecer feliz até que meu cartão de crédito seja zerado de repente; posso acreditar na arte oriental e me espelhar nela para crescer como desenhista; posso acreditar que eu sou eu, a não ser que eu não seja eu, mas um leitor meu, e acreditar que o eu que não sou eu na verdade é eu e escreve as besteiras que gosto de ler ou pelo menos leio porque eu pedi, ou o "eu" pediu - posso ser um tolo feliz. O problema não é ser tolo, e sim ser mais tolo que o próximo. Por isso que eu digo que mentir é divertido - não a mentira que prejudica o interlocutor diretamente, mas a que simplesmente faz dele mais tolo que você. Claro que a expressão de "eu acredito" pode ser mentira, aí o locutor está sendo tolo. É tudo um jogo, e mentiras saudáveis são os dados.

Depois da campanha "saia da rotina", dou início agora à campanha "minta cacas". Mesmo que eu seja o único a aderir, assim como devo ter sido o único na primeira, não me importo. Quem vai estar perdendo o jogo da tolice são vocês. Blé.

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Leia o livro, veja o filme, compre o CD e jogue o jogo. A Bíblia é foda.
Link?

Sasha

Já estou me arrependendo de ter colocado esse título (um blog com uma postagem entitulada "Sasha" não pode ser respeitado), mas não há outro jeito - é sobre isso mesmo que vou falar.

Lembro-me de há algum tempo atrás ter visto a capa de uma revista Caras com algumas das seguintes palavras: "Sasha faz compras com sua amiga Bruna Marquezine". E sim, era a capa inteira. O subtítulo dava a entender que a matéria falava sobre como era interessante o fato de Sasha e sua amiga terem ido (semi-) sozinhas a algum tipo de Shopping. Digo "semi" porque as pessoas famosas sem mérito nunca estão sozinhas. Acho que não preciso descrever a dor que afligiu algumas partes do meu cérebro ao ver isso, portanto vou pular para a reação de alguns minutos após o trauama. Eu comecei a cogitar, como piada, claro, as próximas aparições da menina na mídia. "O namoradinho de Sasha", "Sasha briga com Xuxa e sai de casa chorando" (o que é quase um trava-língua), "Sasha posa para a Playboy" (num futuro mais distante, claro) e outras coisas igualmente descartáveis. Mas eu pensei nisso tudo com brincadeira. Agora não brinco mais.

Infelizmente uma operadora de telemarketing conseguiu praticamente convercer a minha mãe de que a editora pagaria para mandar a revista Caras mensalmente à nossa casa. É. Hoje eu vi a capa de uma dessas aberrações, que dizia "A primeira comunhão de Sasha" ou algo do tipo. O riso é uma coisa muito social. Quando você acha algo engraçado, você pensa "Oh, que engraçado". Se houver alguma pessoa perto de você que queira saber se deve trocar o repertório de piadas ou não, você ri. Mas às vezes surge a risada não-social. Ela pode surgir em momentos sociais também, mas é uma risada verdadeira. Ela sai como se você estivesse sozinho, ou pelo menos pensasse estar sozinho. Ao ver a capa da tal revista, eu soltei uma risada não-social. Qual será a próxima? O namoradinho? A briga? Ou algo diferente? A terceira não, por favor. Só sei que a mídia cada vez mais prova ser "puh".

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Não adianta correr, Caras e Veja sempre vão me perseguir. Ontem fui começar a ler um livro que ganhei de presente. O livro é do Diogo Mainardi, que na minha opinião é um cara que escreve bem mas o faz simplesmente por dinheiro. Acho que ele está corretíssimo - sua coluna na Veja está sempre cheia de bobagens bem escritas, mas acho que se fosse diferente ele não poderia escrever lá. Refiro-me à parte das bobagens, claro, escrever bem é detalhe. Mesmo com um pé atrás pelo título do livro, resolvi dar uma chance. Não era mais a revista Veja. Eu poderia, quem sabe, ver alguma boa aplicação da habilidade do escritor. Tristeza - logo antes do primeiro texto, encontrei estas palavras: "Todos os textos aqui reunidos foram publicados em Veja."

Tenho vontade de me trancar em uma caverna por algum tempo só para ver como publicações lamentáveis vão fazer para me alcançar.

Paracasei

Semana passada (ou seria retrasada? Adoro a falta de noção de tempo que as férias proporcionam a uma pessoa) fui vítima de um assalto a mão boba. "Perdeu, perdeu", mão no traseiro, e "Opa opa, sou de família". Para meu alívio, era pela carteira que procurava. E quando pedi meus documentos de volta, viu também o tocador de MP4 (sim, tocador, MP4 é só a mídia). Mas eu arranquei os fones! Os dois! E depois de correrem pra caramba (eram dois), provavelmente perceberam que o aparelho estava mais pra lá do que pra cá. Lá pelo meio do ano eu o quebrei no ônibus, consertando depois na base de fita durex. Coisa fina. O assalto teve alguns lados bons. Primeiro, porque foi o quinto atentado do tipo que já sofri, mas o único em que os meliantes obtiveram sucesso. Agora as pessoas acreditam que aqui onde eu moro não é tão legal assim. A fama de "bairro burguês" (fama existente em maioria entre pessoas que não sabem o significado da palavra "burguês") traz esses problemas. Sempre que conto como fui assaltado, dizem que "Ah, nem levaram nada...", mas agora é diferente. Outro ponto positivo é que eu posso imaginar que depois de muito lutar por um par de fones de ouvido, a duplinha se decepcione com minhas coletâneas de Dance Dance Revolution, J-Rock, e trilhas sonoras de videogame, só para citar alguns exemplos não tão populares da mídia encontrada no meu tocador de MP4.

- Que porra é essa de Oleo-in Funk?
- Funk! Deve ser do MC Fulano! Bota aí!
- Diz aqui que é um tal de "Jazz". O que é isso?
- Sei lá, bota aí!

Um amigo meu me deu uma dica valiosa: "Não entre na justiça por isso, não!" Rá! Ah, sim, eu posso "zoar" dele aqui... Como diria Thoreau, ele não vei ler mesmo. Imaginei-me sentado à mesa do delegado respondendo a umas perguntas.

- Como eram eles?
- Hum... Sabe, assim... meio... pivetes.

Sabe aquele tipo de pessoa que se não for melhor conhecida, só pode ser descrita com uma palavra? Essa palavra geralmente é "pivete" ou "senhor" (que é, aliás, uma forma educada de se dizer "velho") ou "gostosa" (no feminino porque não, eu não costumo participar de conversas que contenham descrições de pessoas através da palavra "gostoso" no masculino, portanto não sei se muitas pessoas são reduzidas a apenas isso).

- Mas você chegou a ver o rosto?
- Sim, sim.
- Descreva-o, por favor...

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Um dia desses abri a geladeira e peguei um yakult, como há anos não fazia. Foi uma sensação bacana. Mas ao acabar a garrafinha (se é que aquilo pode ser chamado de garrafinha), li na mesma algo que me assustou: "Com lactobacilos vivos paracasei". Paracasei? Os lactobacilos vivos já tiravam o sono de muita gente, e agora além de vivos eles são paracasei? Quando você está se acostumando com uma coisa esquisita, tratam de aprimorar essa esquisitice um pouco. Lactobacilos vivos já eram a coisa mais normal para mim, agora já não o são. Pelo menos não os paracasei.

Como ainda estou com a história do assalto na cabeça, não posso deixar de traçar um paralelo. A violência já está ficando corriqueira. O que vão aprontar agora? Idiota como sou, me diverti com a imagem de um gringo declarado sendo assaltado.

- Lost, lost!
- What?
- Lost, playboy!

Homem ou mulher?

Um dia desses eu estava no youtube caçando um vídeo - sim, tive preguiça de gravar e fui procurar para ver se já tinham feito... sem sucesso, claro - para colocar o link aqui. Aliás, já reparou que eu sempre coloco algum link como este para as coisas ao invés de simplesmente "embebedar" (perdão, mas não consigo ler de outro jeito) na página? Exatamente, não é impressão sua: eu realmente não sei colocar direto. Assim como não sei o que preciso saber para mudar o layout desta caca. Éssio-ésse! Voltando...! Navegando pelo "youtoba" encontrei um vídeo de uma garota que imitava vozes ou sei lá. Não importa o que ela fazia, o que importa é que eu não posso deixar de ler quando vejo palavras (espero que isso pareça óbvio para você - infelizmente descobri que há pessoas que deixam, sim), e por isso acabei vendo o seguinte comentário (traduzido do inglês) : "Você é homem ou mulher? Porque se for mulher, é muito gostosa!" Ah! Sabe quando você pensa gritando? Quando tudo o que ecoa na sua mente é um alto e forte "Aaaaaahhhh!"? Foi assim que me senti quando li o comentário. Chegou até a me fazer esquecer a tecla de print screen. Lástima.

Mas onde eu queria chegar com isso é... Se você não tem nada para escrever, não escreva. Substitua "escrever" por "digitar" para se ligar no perigo: as pessoas podem tirar print screen. Hoje eu ouvi um "Que legal essa sua caca semanal...", ao que respondi educadamente com algum palavrão. Eu não tinha o que escrever, não escrevi. Quem me dera o pessoal da revista Veja seguisse meu exemplo!

Na verdade, na verdade, isto aqui também teve uma parcela significante de culpa na minha ausência. Fazer o quê?

Nada - nada mesmo

Estou neste momento fazendo algo um tanto diferente. Acordei às seis e pouco para vir à faculdade fazer absolutamente nada. Tá bom, meu professor vai entregar as notas às dez, mas ainda assim são três horas de paz total. Às vezes me perguntam o que estou fazendo, e aresposta é "nada". Mas nunca estou realmente a fazer nada. Meu "nada" costuma equivaler a estar sentado em frente ao computador com umas dez janelas abertas, sendo duas de jogos, uma de internet (com dezenas de abas abertas) uma do media player, e o resto de pastas que fui abrindo no caminho e esqueci de fechar. Aliás, isso me causa problemas à noite - só para fechar esse monte de pastas e abas, e no final dar de cara com "Blogger: Caca Diária - Criar Postagem - Mozilla Firefox" que foi aberta sabe-se lá quando, ao que mepergunto "O que diabos eu ia escrever aqui?" Sabe aquelas coisas que as pessoas fazem quando estão bêbadas? Eu as faço quando estou com sono. Portanto, dêem uma colher de chá - perdoem os meus textos da madrugada. Escrevo-os por honra.

Voltando...! Hoje eu vim aqui fazer absolutamente nada. Comprei minha água e saí andando rapidamente como sempre, antes de pensar "Peraí, pra onde é que eu vou agora?" e diminuir o passo. A partir daí, procurei por Ambrose Bierce na biblioteca (sem sucesso, claro), li um bocado de sociologia (sabe aqueles livros que são bons, mas nunca acabam?), andei pelo mato, respirei um pouco de ar puro e fui picado por mosquitos. E isso tudo foi muito bom. Exceto pela coceirinha. Eu estou aqui todo dia (apenas pela parte da tarde) e nunca havia feito isso. Sim, agora estou no laboratório de informática compartilhando isso com você, e tenho mais meia hora para falar com Deus. Até mais.

Excomunhão

"Os chefes da sinagoga há muito tendo conhecimento das opiniões e atos nocivos de Baruch de Spinoza, diariamente recebendo cada vez mais informações graves sobre as heresias abomináveis que ele praticou e ensinou e sobre seus feitos monstruosos (...) excomungam, expulsam, amaldiçoam e condenam às penas do inferno Baruch de Spinoza. (...) Amaldiçoado seja ele de dia e amaldiçoado seja ele de noite; amaldiçoado seja ele quando se deita e amaldiçoado seja ele quando se levanta. Amaldiçoado seja ele quando sai e amaldiçoado seja ele quando entra."
(semi-copiado de "O Mundo em uma Frase", por James Geary - bom livro, compre.)

Acima está o grosso (ui) da excomunhão de Baruch de Espinoza, um grande pensador do Século XVII. Na verdade, não posso falar muito dele já que seus livros são praticamente ilegíveis. Mas um dia eu vou conseguir, ah se vou! No entanto, uma coisa que eu posso falar sobre ele é o seguinte: o cara conseguiu a melhor excomunhão que eu já vi. Teve direito a maldições constantes, ordem de distância dos parentes (é, não foi citado acima) e ponto-e-vírgula! Atenção para a ênfase: ponto-e-vírgula! Tiro o chapéu para ele. Ser excomungado deve dar uma sensação esquisita. Não é algo que se desejaria a ninguém, mas certamente é uma honra.

Um dia desses, eu estava pensando o que deveria fazer para ser excomungado. Não é para qualquer um. Primeiro, as igrejas costumam excomungar membros. Oh. Ou seja: por mais pentelho, inconveniente, careca e cheio de idéias baseados em fatos que você seja, o máximo que pode conseguir de uma igreja é um comentário negativo do Papa. Tá, isso já é uma honra, mas não chega aos pés da excomunhão. Aquele que quiser sair com um "Heheh, sacaneei!" tem que se infiltrar. Minha reflexão parou por aí. Odeio me infiltrar - o retorno não é garantido.

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E por falar em pensadores, eu dou um "valeu" em francês para quem me disser onde encontro qualquer coisa de "O Dicionário do Diabo", de Ambrose Bierce.