Projeto de homem

Engraçado como a infância é uma síntese da vida... ao contrário. É, eu estava aqui a me lembrar do meu passado, e a rir com a diferença entre as várias visões de mundo que já tive ao longo da minha vida. A infância é um projeto. E é incrível como que projetos tão errados podem acabar dando certo no final.

Quando eu era pequeno, "estudava" em tempo integral na escola. Ia para lá cedo, brincava no parquinho, fazia o dever "de casa" na sala mesmo, tomava banho, almoçava, assistia às aulas da tarde, jantava e voltava para casa. Isso tudo era muito divertido, exceto por três partes. A do parquinho e a do banho, principalmente. E em segundo lugar, o almoço. O parquinho e o banho eram assustadores. Eu acho que já mencionei a menina que se dizia apaixonada por mim, a que me surrava no parquinho. Cara, como ela batia. E eu, sempre cavalheiro, não poderia revidar. As "tias" nunca viam, porque ela sempre me arrastava para trás de uma casinha de bonecas onde não seríamos vistos. "Rapaz, com quatro anos de idade eu já levava as meninas pra trás do parquinho" não é de todo mentira. E eu apanhava justamente porque não queria namorá-la. Um dia desses eu estava conversando com uma colega da faculdade, e ela disse que fazia o mesmo. "Ora, se não queria me namorar eu enchia de porrada. Onde já se viu, não querer nada com a gente?"

A menina me perseguia. Até na sala da minha casa ela estava. Sim, ela aparecia na televisão de vez em quando. O pai devia ser uma figura importante em alguma emissora, não me lembro ao certo. Tava na televisão, a maldita. E mesmo assim eu não queria nada com ela. Só porrada.

Depois de apanhar, digo, brincar, a gente ia fazer o dever de casa. Sem perguntar por que estávamos fazendo dever de casa na escola. A tarefa não podia ser muito complicada, afinal, eram crianças pequenas. Mesmo assim, o clima era de tensão. Porque depois, é claro, vem o banho.

"Quem não terminar o dever até as onze vai tomar banho com as meninas!"

O terror. Nada era mais assustador que tomar banho com uma menina. A gente corria, fazia o dever errado, mas não deixava a tia nos colocar lá com as meninas. "Meninas? Eca!". Antes de entrar no banho, nós tínhamos também que deixar arrumada a roupa que usaríamos depois do banho. O uniforme. E isso contava como "dever até as onze". Lembro-me que uma vez faltavam pouquíssimos minutos para as onze... eu arrumava o meu uniforme quando sem querer puxei o cordão da bermuda. Não sei se você conhece as bermudas de uniforme de antigamente (não sei como são hoje em dia). Elas tinham dois furos na frente, de onde saíam as duas pontas de um mesmo cordão. Ele passava ao redor da vestimenta inteira, fazendo as vezes de um elástico. Depois de vestir a bermuda, devíamos puxar as duas pontas e amarrá-las, ajustando-a assim à cintura de cada um. Pois é, eu puxei o cordão e ele saiu todo de uma vez. O pânico. As pontas do maldito tinham um nó, supostamente para impedir que isso acontecesse. Bermuda mal-feita. Olhei para o relógio, "ufa, ainda tenho alguns minutos", e enfiei um ponta do cordão no buraquinho e fiquei ali, arrastando o dedo pelo tecido para empurrá-lo bermuda adentro. Isso porque, uma vez colocado o cordão, não havia mais comunicação alguma com sua ponta até que ela saísse lá pelo outro lado. O terror. Eu ali, tentando empurrar aquele nó. Os minutos passavam, e eu não obtia progresso algum. Tique-taque. Tique-taque. O cordão estava na metade do percurso, e eu suava mais frio do que jamais havia suado, quando veio a voz da tia: "Onze horas!". O pavor.

Anos depois eu sentiria falta do tempo integral. Da bermuda de cordão. Tomar banho com as meninas é tudo o que se quer depois da puberdade, afinal. Ah, saudades dos tempos em que eu era um pequeno projeto de homem. Mas do parquinho, não.

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O almoço? Fica para a próxima.

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Meu companheiro blogueiro Daniel me passou recentemente um selo um tanto quanto curioso. "Sou uma diva". Eu gargalhei. Primeiramente, de felicidade por estar sendo homenageado por um dos blogueiros que mais respeito. E segundo, é claro, porque é engraçado. Eu sou uma diva! Rá! Devo passá-lo para três outros companheiros, que, espero, também o passarão adiante. Divas em ordem alfabética:

Bianca

Bolívar

Marco

Sem mais a comentar, vejo-os amanhã. Até parece.

6 comentários:

Bolívar Escobar

8 de junho de 2008 23:36

Meu pai conta que certa vez ele foi me levar pra escola, no "pré" (série anterior à primeira série em si, quase como um jardim de infância). Chegando lá, segundo ele, eu me dirigia pelo pátio em direção à sala quando um grupo de meninas da turma correu em minha direção, me cercando, tentando me agarrar e gritando meu nome.

A partir dessa parte do relato meu pai sempre começa a rir, por que diz ele que eu tentava fugir e gritava por socorro chorando.

Luiz Nihil

12 de junho de 2008 20:52

Eu não tinha problema com meninas na creche/pré/primeiras series, tinha até uma namoradinha.

Mas eu era um badboy que derrubou um dos coleguinhas da escada no primeiro dia de aula, então eu era o malvadão.

rsrs

;*

Eduardo

13 de junho de 2008 23:36

eu nem lembro.. lembro vagamente que tinha uma amiguinha.. nada mais...

e po Renato... pena que vc soh levou as menisnas pra traz da casa até os 8 anos neh ;P depois disso soh em sonho e no The sims.

=****

Juciellen

6 de julho de 2008 22:29

no pré tinha um guri idiota que ficava pulando e falando "a ju eh minha namorada, a ju eh minha namorada" e corria dos meus socos e ponta-pés. u.u

eu estudei com ele TODAS as series, até o terceiro ano do ensino medio (cidade pequena eh foda)mas nunca tive coragem de perguntar se ele se lembra da nossa epoca de pre... xD

hj ele trabalha num banco eu o vejo todos os dias, e acho q ele cria fungos na camiseta que ele usa todos os dias....vontade de socar ele de novo... u.u'

MIJ@0

22 de julho de 2008 00:13

vc num posta mais não???

Bianca Rie

8 de agosto de 2008 21:22

Esse blog foi bom enquanto durou =/