Segredo

- Vou te contar um segredo.

- O quê? Pode falar.

- Eu não tenho segredos.

- Mas se isso é um segredo em si, temos uma contradição aí.

- Não. Não mais. Agora que você já sabe, não é mais um segredo. Eu não tenho segredos. Não agora. Percebe?

- Mas um dia ele foi um segredo. E nesse momento, era uma mentira. Um paradoxo. Antes de contá-lo a mim, você guardava uma informação que provava a própria inexistência.

- Sim. Meu segredo era não ter segredos, o que bate de frente com qualquer lógica humana. O meu segredo não podia existir. Ele não podia ser aceito. Mas no momento em que eu abro mão da exclusividade sobre esse pensamento, ele passa a ser verdade. Meu único segredo é revelado, e eu não tenho segredos. Completamente aceitável. Justo. Perfeito.

- Não, não é perfeito. Um segredo não pode ser analisado apenas a partir do ponto em que não é mais segredo. Uma conjectura perfeita leva em consideração todas as fases e possibilidades. O seu "segredo" é, sim, um paradoxo. E com uma análise platônica, afirmo ainda: você tem segredos. Muitos segredos.

- E, exceto em relação à sua prova platônica, você tem toda a razão. Meu segredo, como eu já havia dito, era inaceitável. Absurdo. Impossível. Uma falha na ordem do mundo, se me permite dizer. Meu único segredo abalava as estruturas daquilo que tanto veneramos e conhecemos como "verdade". E por isso, dei um fim nele. Entende agora? A "verdade" não pode cair. Se algo não está de acordo, previdências devem ser tomadas. Eu tomei as providências. Pela manutenção da ordem. Pela verdade. Pelo mundo como o conhecemos. Agora que meu segredo foi compartilhado, tudo volta à mais perfeita normalidade.

- Pelo mundo, é?

- Sim. Pelo mundo. Por mim. Por você. Por todos nós. é um fardo e tanto, concorda?

- É... mas temo que isso não baste.

- Como assim?

- Você não protegeu a verdade em nada. O seu segredo, contado ou não, não faz a menor diferença. A normalidade não está a salvo, nunca estará.

- Do que você está falando?

- Sabe... Eu tenho um segredo.

9 comentários:

Bianca Rie

24 de agosto de 2008 16:41

"ui, ui, ui, eu não postei no blog ainda, mas tenho três textos já começados e blá blá blá"


parece que era verdade :O

Renato

24 de agosto de 2008 18:52

não, eu nem toquei mais nos textos começados!
parece até uma maldição... se eu não consego terminar no mesmo dia, vai pro arquivo de rascunhos e não sai de lá nunca mais rs

Renato

24 de agosto de 2008 18:53

consigo*

hahaha

Bianca Rie

24 de agosto de 2008 20:55

Pior que é verdade, sempre que eu começo a escrever e paro não consigo continuar, deve ser um mal que atormenta todos os donos de blog ._.'

Luiz Nihil

31 de agosto de 2008 06:16

Chat \o/

A Bia merece o prêmio "Eu entro no blog dos amigos mesmo quando eles ficam anos sem postar" ;Dd

Bjosmeliga ;*

Bianca Rie

31 de agosto de 2008 19:16

Sim! Eu entro (Y)

;**

victor

2 de setembro de 2008 01:15

ok

Daniel Araujo

4 de setembro de 2008 05:46

Huiahuiahuiahuiahuiahuia!
Huyiahuiahiahaihaiuhaiuhaiuahia!
Huiahauihaiuhaiuhaiuahiuahiuahuaihauihaihaiuhauihaiuhaiuahiuahaihai!
Muito boa!
Huiahiuahaiuhaiuhaiuhaiuahiuahi!
Huiahiahuiahauihauihaiuahiuhauiahiuahi!

Eduardo

6 de setembro de 2008 12:48

Nona fala, linha 4: 'previdências'? o_õ

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AsHuiMAS! Muito bom o texto! dISAudhi!