Uma história de ônibus que começa no ônibus. Eu estava no meu assento observando como as árvores do morro do convento estavam alternando entre secas e folhadas em um padrão perfeito quando senti um toque rápido no ombro. Olhei para o lado e vi que a moça ao meu lado não me olhava de volta. "Cutucão não foi", pensei, "um esbarrão, talvez". Voltei a me entreter com a paisagem - desta vez seis casas com uma piscina no meio, eu tentava descobrir a qual casa ela pertencia. Foi quando senti um novo toque. Virei-me novamente e nada. Decidi desistir da paisagem e descobrir o que estava acontecendo. Na terceira vez, eu vi - a minha companheira de viagem quicava entre um cochilo e outro, e na curva depois da ponte desabou sobre meu ombro e não acordou mais até o terminal.
Isso me lembrou do episódio que relatei aqui sob o título de "Ônibus... e eu" (se não leu, leia agora por favor - os textos se complementam, é uma beleza). Segurei as risadas que vieram devido à relação entre os casos com medo do que os outros passageiros pudessem pensar. Analisando as duas situações, não pude deixar de pensar "que sorte". Que sorte que eram mulheres, sem nenhuma implicação além do que segue: se fosse um homem, eu o poria de lado. Gentilmente, disfarçadamente, mas poria. Não só por mim, mas por ele. Porque no outro caso, eu também odiaria acordar abraçado à perna de um pobre rapaz no ônibus. Hoje percebi que é assim que funciona. Vizinhos no ônibus, sexos opostos. Pequenos constrangimentos em lugar dos maiores.
Você, mulher, quando vir aquele rapaz sentando-se ao seu lado com tantos assentos vazios, não pense que lá vem cantada ruim e conversa sobre o tempo. Ele não quer necessariamente te levar para a cama - talvez vocês acabem dormindo ali mesmo.

8 comentários:
3 de dezembro de 2008 20:29
ah adorei isso
vou até fingir que tou dormindo pra me apossar de pelo menos o ombro de algum gatinho
xD
*maníaca*
4 de dezembro de 2008 19:34
"Ele não quer necessariamente te levar para a cama - talvez vocês acabem dormindo ali mesmo."
Que perigo.
9 de dezembro de 2008 22:02
sem comentários... Tarado! aehihuaeuhae issaew!!! xD
19 de dezembro de 2008 01:31
perdeu a chance de agarrar a primeira mulher no ano... kkkkkkkkkkkkk
20 de dezembro de 2008 01:29
ihuhaushasa
primeira mulher do ano ja em dezembro
sauhsuahshuhashuahs
20 de dezembro de 2008 11:49
hauhauhauhauahuhaah
sem comentários (bom, eu ri mais dos comentários do que do post mesmo xDDDD)
22 de dezembro de 2008 00:30
Carai...tomei coragem e vim aqui ler isso. É...tá bão. Chuchu beleza, do balaco-baco, batatal, sagaz, irado, sinsitro, legal, batata, supimpa...
Congratuleixions.
=*
2 de janeiro de 2009 02:54
Mais uma vez, um excelente texto. O que me lembra uma história parecida, mas era eu dormindo no ombro da mulher... Várias e várias vezes, por um ano.
Algum dia eu escrevo essa história...
Abraços, man!
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