O ômnibus oje tava lotadaum e eu fiuqei em pé apesar do joei estar doenod pacas. Um assento foi liberaod e eu deichei a mossa se sentar primero. Idioat.
O ônibuses oge tava lotadaon e eu fiqei em pé apesar do jueio estar doendo pacas. Um ascento foi liberado e eu deixei a mouça se sentar primeiroi. Idiota.
O ômnibuses oej taav lotadaõ e eu phi'k em pé apesar do juei estar doenod pacases. Um axcento foi liberaod e eu deixei a mô saci sentare pmirerioi. q
Não, não estou me rendendo a nenhum tiop, digo, tipo de internetês para usar no blog. Mas não posso deixar de admitir o fascínio que a liberdade de escrita na rede exerce sobre mim. O que eu comecei a conhecer no final da década de 90, com "vc", "fds", e o mais engraçado de todos, "tc", entre outros, era uma linguagem ágil para nossos dedos lentos. Eu me recusava a escrever errado, mas, digitando com os dois indicadores, entendia perfeitamente o porquê da moda ter pegado. Começava o internetês e, até então, estávamos eu cá e ele lá.
Não foi até 2005, acho, que tive meu primeiro contato com os derivados do internetês. Coisas absurdas como o miguxês, o oOooOOozês e o tiopês simplesmente não conseguiam me convencer. O que havia começado como uma forma de comunicação mais rápida havia se tornado justamente o oposto. Como uma receita médica, que hoje é feita em garranchos propositais cuidadosamente desenhados, a linguagem na internet estava ficando uma confusão vergonhosa.
O onibuxxx oxe tava lotadaum e eu fikei em peh apexxar du joeliu estar doendu pacaxxx. Um axxxxxentu foi liberado e eu deixxxxei a moxxa xi xxentar primero. Idiotaa. O miguxês, fruto de alguma mente incrivelmente maldoxxxxa, desperta no interlocutor imediata e obrigatoriamente uma de duas reações: um misto de frustração e fúria que cresce lenta, porém continuamente; ou uma vontade incontrolável de fazer biquinho. Ambas terrivelmente incômodas, o que me leva a questionar como diabos isso pode ter se espalhado senão por uma conspiração.
o Onibus hOje tava lotadaOn e eO fiquei em pé apesar dO jOelhO estar dOendO pacas. Um assentO fOi liberadO e eu deixei a mOça se sentar primerO. IdiOta. O oOooOOozês foi a língua para a qual foi mais difícil traduzir a frase do primeiro parágrafo. Preciso dizer mais? Pergunto-me se queriam que imaginássemos uma pronúncia diferenciada. Eu não consigo não imaginar, e não consigo não rir.
O o^niubs hoej taav lotadaõ e eu fiuqei em peh apezar do joehlo estar doenod pacas. Um asenot foi liberaod e eu deichei a mossa se senatr priemrioi. Idioat. O tiopês, à primeira vista, me pareceu o novo internetês. Uma linguagem relativamente compreensível, fruto de erros de uma digitação rápida sem rvisões. Algumas letrinhas trocadas praticamente não alteram a velocidade com a qual interpretamos uma palavra, logo, tomar menos cuidado com o que sai antes de apertar enter é um modo de agilizar ainda mais a comunicação. Mas os erros de ortografia além da ordem das letras pediam maiores explicações. Diferente dos oOooOOos e xxxxxxs, esses erros vinham nos mais variados formatos e pretendiam ter a mesma pronúncia que seus paralelos ortograficamente corretos. O miguxês e o oOooOOozês me divertiam, e só isso já era preocupante. Mas o tiopês era diferente. Ele não so me divertia, ele me fascinava.
Dois s poderiam viram um só, ou um cedilha, ou, dependendo do caso, um c, um sc, um xc. M e n podiam de misturar, e a quantidade de fonemas que poderiam substituir o til era impressionante. No inglês, a liberdade era ainda maior. Um só letra poderia se combinar com tantas outras fazendo sons tão distintos que não havia limites para a criatividade. Foi no ano passado que eu percebi que eu também já estava escrevendo errado de propósito. Meio escondido, meio tímido, ousando um pouco na ordem das últimas letras. Um pouco de q sem u. Um pouco de n com p. Em pouco tempo eu desenvolvia um jeito de escrever que já nem era tiopês. Era o meu jeito. Escrever errado era tão delicioso, tornava tão mais engraçadas conversas do dia-a-dia, que fez este cabeça-dura ter uma das mudanças mais drásticas de opinião na vida. Amo a gramática e continuo furioso com a incapacidade alheia de colocar as coisas no papel como ditam as regras. Mas na informalidade da internet, por que não deixar a linguagem ser arte? Com um toque aqui e ali o texto ganha uma personalidade irresistível.
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prontofalei

10 comentários:
14 de julho de 2009 00:58
eu não sei o que seria de mim na internet sem o tiopês <3 -n
16 de julho de 2009 22:15
"Uma linguagem relativamente compreensível, fruto de erros de uma digitação rápida sem rvisões."
Realmente, sem "rvisões" rs
(daqui a pouco vem o chato dizendo que colocou de propósito u.u')
24 de julho de 2009 09:58
foe di props
25 de julho de 2009 18:41
Sabia!
31 de julho de 2009 19:11
Previsível u.u'
Você não era assim, que decepção ._.'
13 de agosto de 2009 15:29
E viva a revolução!!!
aheuhaueha
ps: saudades d vc, seu mudador de curso rsrsrs
16 de agosto de 2009 20:48
eu ia falar do "rvisoes" tb, mas assim como a bia, imaginei que ele falaria que foi de proposito =P
até agora eu não entendo aquela linguagem do tipo:
"fui ali
-n"
o que raios faz aquele "-n" no final? me explique, por favor, mestre renato. XD
19 de setembro de 2009 14:41
eu sempre li aquilo como "Não", mas não faz muito sentido rsrs
a não ser que seja uma referência a este vídeo http://www.youtube.com/watch?v=gEcCqPmjgOA&feature=channel_page
26 de setembro de 2009 11:26
eu acho q vc devia mudar pra jornalismo... huaehuaehueahuae
vc escreve mt bem cara! de verdade!
e eu adorei o post do google..huaeuhae eu nunca tinha pensado sobre.
20 de outubro de 2009 04:55
Tal post me trouxe à memória ninguém menos que Saramago.
=)
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