Hoje, na fila do Restaurante Universitário, falávamos de gosto musical quando um colega soltou: "Eu não tenho esse negócio de ídolo."
Eu tenho. E não tive opção. Até 2002, eu dizia que não me ligava muito em música. "Amigo CD" (um amigo secreto que faziam na escola, onde o presente era obrigatoriamente um CD)? Eu pedia sempre aleatoriamente, ou deixava a critério do presentador. De qualquer forma, eu ouviria um dia e nunca mais. Foi quando By The Way mudou minha vida. Um música, pela primeira vez, era algo que não precisava ser diferente. Algo que por si só era completo, totalmente agradável de se contemplar. Além disso, eu me amarrava na dancinha do taxista. Os Red Hot Chili Peppers me ensinaram a ouvir.
Comprei imediatamente o álbum. E não houve canção alguma que não me agradasse. No mesmo ano, saiu o videoclipe de The Zephyr Song, que me ensinou que eu não preciso usar drogas.
Throw Away Your Television não me deixou dúvidas: eu seria um baixista. Logo comprei meu contrabaixo que de longe é preto, de perto é roxo e no sol é marrom, assim como o velho álbum Californication e o novo álbum Greatest Hits, que consolidaram a banda como hors-concours para sempre no meu conceito.
Na época eu já sabia tudo de música pela internet. Mas não ouvi absolutamente nada dos álbuns mais antigos. Aguardei pacientemente até o lançamento de Stadium Arcadium, que superou qualquer expectativa, e ouvi as mesmas músicas por mais alguns anos. Quando a banda decidiu se separar por tempo indeterminado, eu soquei algumas paredes até encontrar os três discos mais antigos em um sebo e sossegar. Conhecer as canções velhas era como acompanhar um novo lançamento, e eu me vi como um raro fã que continuava a reconhecer a banda mesmo em tempos de recesso. Ao longo do tempo eu havia desenvolvido uma técnica: ouvir apenas o que eu tenho em disco.
Semana passada adquiri Blood Sugar Sex Magik, considerado pela maioria o melhor de todos os álbuns dos Peppers. Funciona muito bem a minha tática para permanecer sempre interessadíssimo na banda, sem jamais enjoar. E caramba. Que disco bom. E fica melhor ainda ouvido depois de tantos anos redescobrindo um conjunto aos poucos e fora de ordem cronológica. Tendo uma organização diferente no meu conhecimento, a banda é como se fosse outra. Não são apenas os Red Hot Chili Peppers. É o que são para mim os Red Hot Chili Peppers. Eu não tenho ídolos. Eu tenho mestres. Os Peppers me criaram.

6 comentários:
19 de outubro de 2009 12:10
Profundo :)
Eu poderia escrever quase o mesmo texto, trocando Red Hot por U2...
Ah, a única música deles que eu realmente gosto é By the Way
bjs
=)
23 de outubro de 2009 01:29
Bah, eu nao acredito!!! Eu sempre falo que o ÚNICO cd do qual eu gosto de todas as músicas sem excessão nem é nenhum dos Titãs, que é a banda da qual eu sou mais fã do que tudo...é o By the way do Red Hot. =D
falando nisso, o meu tá riscado, quero outro. T_T
Adorei o post...vejo que mais um pensa como eu *-*, obrigada, Renato. xD
23 de outubro de 2009 17:10
Eu ja tive o Californication autografado pelo Flea, mas acabei dando pra um amigo de presente.
By the way é bem mediano pra mim...tenho aqui em casa jogado em algum lugar o "Red Hot Chili Peppers" em LP, se eu achar ele nas minhas tralhas, te mando de presente.
:D
25 de outubro de 2009 21:58
meldels Nihil não brinca com isso, ejaculei aqui
29 de outubro de 2009 19:44
CARACA!!!
23 de dezembro de 2009 11:43
Porra RHCP foi a banda que me "iniciou" no Rock, meu blood sugar sex magic foi roubado e o flea me obrigou a ser baixista...
hsuahsuahsuhashas
Bom saber que voce curte Red Hot...
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