"(...) sintomas psicóticos e raras tentativas de suicídio foram relatados nos pacientes (...)"
O remédio que não me deixava beber também trazia, conforme verificado em trechos como o de cima retirados da enorme bula que o acompanha, outros incômodos ao usuário. Mas psicose, depressão, hemorragia nasal e fotossensitividade não são nada perto do sono. Eu fiquei realmente assustado uma vez quando cochilei jogando um videogame de ação frenética - desabar no sofá enquanto mata uma legião de monstros japoneses não é pra qualquer um. Passei a metade do ano dormindo umas quinze horas por dia porque estava vivendo como um zumbi, e quando a dose do remédio diminuiu no final do ano eu senti toda essa energia acumulada voltar. Agora o tratamento está completo, eu estou livre para viver uma vida normal de novo. Ou quase.
Foi uma semana inteira praticamente sem dormir. Eu percebia que mais um dia havia passado quando o sol entrava pela janela, aí dava um frio na barriga e eu tirava um cochilo para tentar separar as horas. Mas o fato é que ontem eu tive a minha primeira noite normal desde pouco após o natal. O fim de um longo dia que englobou até a virada do ano, o que faz com que hoje pareça o real primeiro dia de 2010. Meu ano está começando no dia 5 e eu não fiz resoluções de ano-novo.
Não foi a primeira vez que virei o ano de maneira singular. Mas foi a melhor delas. Afinal, pode ser cansativo, mas um dia de 168 horas (usei a calculadora do windows, adeus exatas) não é nada mau. Além disso a concorrência é desleal. Pela primeira vez não sai errado um revéillon em que eu inovei um pouco. Na mais recente, fui com a minha família ao nosso sítio nas montanhas. Acontece que o lugar é completamente isolado da civilização e na hora bateu a saudade da cidade e nós ligamos a televisão para ver os fogos do Rio de Janeiro. Eu achei aquilo deprimente e fui para o quarto fazer outra coisa qualquer. No momento da virada, eu estava jogando Golden Sun. O jogo nem é bom.
Houve uma vez que eu dei adeus ao ano que passava em uma igreja, e houve também a vez em que resolvi finalmente pular sete ondas no mar. Na sétima onda eu caí num buraco e fiquei completamente submerso, o que não pode ser um bom sinal. Uma amiga se recusou a abraçar aquele cara ensopado e assim eu obtive a primeira rejeição do ano.
Mas 2010 começa diferente. Foi a primeira vez em dez anos sem ninguém usando aqueles óculos horrorosos com os olhos nos zeros de dois mil e alguma coisa, o que por si só já é um grande avanço. E, com quatro dias a menos, vai ser um ano que eu vou me sentir na obrigação de aproveitar ao máximo. Um feliz 2010 para você, com uma desculpa de seis parágrafos para estar atrasado.
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Eu disse "adeus exatas" ali em cima, mas, parando para pensar, acho que não havia mencionado. 2009 foi um ano de muitas grandes escolhas para mim. Fora três, e sim, eu acho muito. Uma delas foi trocar de curso na universidade. Hoje não sou mais um estudante de ciência da computação, e sim de comunicação social. Um amigo meu me disse "eu sempre soube que você pertencia às humanas" e eu o agredi fisicamente por não ter me falado isso há três anos atrás. Três anos.
Três anos.
Vocês podiam ter me avisado também, hein?

3 comentários:
7 de janeiro de 2010 13:22
três anos não são nada...
só um Ensino Médio de novo...
By the Way: agora que eu vi que eu sou um vice-campeão!
o/
7 de janeiro de 2010 16:03
pior que aqui ainda usaram o tal óculos - os dois zeros de 2010 nos olhos e o um no meio do nariz haha
enfim, eu sempre disse que você escreve MUITO bem - não foi exatamente um aviso e nem foi há três anos, maaas kkk ;)
12 de janeiro de 2010 22:49
dois posts reveladores que eu nao tinha lido ainda! ê laia... Bem-vindo às humanas, meu caro ^^
Ow, Renato...achei que tu ia usar mais o twitter hein, fikdik =)
(pelo menos pra avisar qdo tu atualiza o blog seria bom XD)
saudade de ti =*
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