Quem vir meu quarto agora ficará confuso. Bolas de tênis completamente envoltas por fitas adesivas coloridas estão espalhadas pelo chão. Pedaços de papelão dividem a cama com um livro, um página de jornal (sim, uma) um caderno, um videogame não-portátil e uma folha chamex em branco que, apesar de encontrar-se entre almofadas e lençóis, não apresenta um amasso ou dobra sequer. À bagunça usual da minha mesa somam-se CDs espalhados, um colírio que eu achei que havia perdido e só achei agora enquanto olhava para a mesa com o objetivo de descrever o que repousava sobre ela, uma lista de compras, uma folha de jornal (não é do mesmo dia, eu verifiquei) e um abridor de cartas entalhado à mão. Como eu odeio a falta de móveis do meu quarto. Tirando o abridor de cartas, eu posso explicar tudo. Mas não vou. O que é digno de explicar é o último novo item da minha mesa. O estranho apêndice.
Ligado ao meu computador, que é um laptop, há esse teclado que eu comprei hoje. O negócio é que eu não conseguia acessar os dados do meu computador porque o teclado não funcionava e sem ele eu não conseguia nem entrar com a senha. Fui à loja com a máquina em mãos e pedi um teclado que se instalasse automaticamente. O vendedor ficou meio desconfortável quando mencionei a minha maldição e o fato de que qualquer eletrônico à minha volta estraga misteriosamente, mas me trouxe esse teclado enorme que funcionou. Levei-o para casa feliz com a oportunidade de finalmente salvar meus arquivos em outro lugar e mandar esta merda à... merda.
"Não sei por que cheguei a ter esperança.", pensei ao constatar, em casa, que o novo teclado não funcionava. Eu estava ficando rápido nisso, e já podia ver um mês depois as televisões das vitrines explodindo quando eu passasse pela rua.
Existem momentos em que uma pessoa chega ao seu limite. Ela abandona a razão e perde o controle e se reserva o direito de ser perdoado depois. Eu usei o meu último pingo de racionalidade para calmamente colocar o novo teclado de lado, em cima dos papéis e colírio e abridor de cartas, e comecei a esmurrar o computador.
"mj,ffxmjfdxjn ,fdfdtrlr;jçr" é o que eu deveria escrever aqui, mas era uma tela de senha então o que apareceu foi "...........................". A porcaria estava funcionando de novo.
Por curiosidade, desliguei o teclado novo. Sim, o teclado embutido do laptop parou de funcionar. E cá estou eu, digitando no meu computador que fica cada vez mais estranho, seu novo e estranho apêndice jogado na pilha de entulhos da mesa.
Uma luz azul forte pra caramba acende lá no canto toda vez que eu aperto caps lock. É, eu não gosto de shift.
E eu ainda não sei qual é a do abridor de cartas.

3 comentários:
31 de março de 2010 16:01
vc ainda vai ser responsável por um grande catástrofe envolvendo lojas de eletrônicos...
ps:seus textos tão muito pequenos (ou os meus q estão muito grandes?)
=)
1 de abril de 2010 17:56
Concordo, estão pequenos mesmo... E tecnofobia já tá passado uhauhauhauha. Mas o que eu posso dizer? Não escrevo há duas semanas XD
Abraços mano felzies pascoases :*
18 de abril de 2010 17:08
auhauahau vc fala de passar pelos televisores e fritá-los direto.
é prq vc é elétrico:P
posta coisas novas logo eu ja te lembrei ate uma historinha.
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