- OK. Eu vou falar.
Pausa.
- Fala logo então!
- É que... Eles podem estar nos observando agora mesmo.
- Os reptilianos?
- É. Eles se disfarçam de pessoas, sabia?
Quando eu era uma criança (o que pode ser a qualquer momento antes dos dezoito) eu pensava que filosofia, sociologia e antropologia fossem a mesma coisa. Apenas em três níveis diferentes. No primeiro ano do ensino médio eu tive pela primeira vez aulas de filosofia. Era o básico da trilogia da chatice. No segundo, entrava a sociologia, o segundo nível da estranha ciência descartável. Eu já sabia que não teria aulas de antropologia no terceiro ano. Porque o nível três era avançado demais para nós.
- Se você parar para pensar, isso que nós fazemos aqui é filosofia pura. E nem é das piores. - disse Pedro uma vez no saguão do seu prédio.
O nosso estranho clube - que eu detalharei em outro texto, provavelmente - já havia perdido o propósito, e nós agora passávamos as madrugadas conversando sobre tudo o que há por explicar. Sem o menor efeito de álcool. Um grupo de mentes jovens ávidas por conhecimento e com muito sono a gastar - eu, pelo menos, passara o ano dormindo dezoito horas por dia sob efeito de remédios - que descobria o prazer de questionar e conjeturar e abrir seus horizontes.
Mas mesmo depois de separar filosofia, sociologia e antropologia, eu aprendi que existem, sim, níveis de filosofia. A filosofia pode levar a um conhecimento da verdade, atingindo seu propósito e abrindo caminhos para novas teorias. Isso é um outro nível. Mas um terceiro nível que o questionamento pode atingir é negativo - a confusão. Um exemplo está nas teorias da conspiração, como a que surgiu naquele fatídico dia na lanchonete.
- Mas cara, você disse que os reptilianos têm três metros de altura. Como eles podem se disfarçar de pessoas, que não costumam passar de dois?
- Eles têm os seus métodos - respondeu-me Paulo, baixinho.
- E pára de sussurrar, o garçom não é um reptiliano.
- Mas você não pode afirmar isso.
- Olha, se eles têm esse poder todo, então porque estariam só te vigiando? Você obviamente sabe demais, já era para estar morto. E as pessoas todas que te passaram esse conhecimento, hein? - disse Pedro.
- Mas por mais que a gente saiba, não há nada que possamos fazer. Eles deixam rolar porque já está tudo no esquema deles. Eles controlam a mídia, a política e a indústria de armas, e podem nos dominar a qualquer momento.
- Mídia?! Política?! Indústria de armas?! Eles já nos dominam então!
- Praticamente. Eles estão esperando o momento certo.
- Estamos falando de uma raça alienígena de répteis humanóides antropofágicos vivendo no subterrâneo do nosso planeta, uma raça avançada com tecnologia muito superior à nossa que controla a mídia, a política e a indústria de armas. E eles estão esperando o momento certo?
- Você se esqueceu da quarta dimensão.
- Ah, é, tá certo, eles se movem em quatro dimensões.
- Isso.
- Cara, qualquer momento é oportuno para eles nos dominarem! Por que diabos essas criaturas ficariam à espreita no centro da terra? Eles são obviamente muito superiores a nós!
- Mas você tem que entender - retomou Paulo, calmamente - que há muito mais coisas em jogo. A história é muito mais complexa. O que eu apresentei aqui foi só um resumo e de só um aspecto. O negócio é grande, cara.
- Nós temos a noite toda.
- OK. Muito bem, no início havia os reptilianos e os draconianos...

1 comentários:
8 de março de 2010 11:40
...
e eu achava meus amigos estranhos...
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